1.6.08

@ Plano de ação para com as crianças portadoras de Distúrbio Específico de Linguagem: o modelo francês.

Clipart: http://www.gifsecliparts.com.br/estudantes.htm


Em março de 2001, profissionais de toda a França se reuniram e criaram um plano de ação que foi endereçado ao Ministro da Educação Nacional, ao Ministro da Saúde e ao Secretário de Estado responsável pelas pessoas Idosas e Deficientes.

É claro que Brasil e França vivem realidades diferentes e, portanto, contam com necessidades diferentes. Nesse plano os franceses reivindicam, por exemplo, o aumento na quantidade de profissionais fonoaudiólogos formados. Não creio que o Brasil sofra com falta de profissionais, mas sim, com a escassez desses no sistema público de saúde.

De qualquer maneira, é interessante notar que eles solicitam uma melhor formação dos fonoaudiólogos, médicos, psicólogos e professores quanto à linguagem e seus distúrbios: como nós!

Enfim, vale a pena olhar....


O plano de ação se articula em torno de 5 orientações prioritárias e apresenta 28 ações:

Orientação 1: Melhor Prevenir.

Ação 1.1. Integrar e considerar, na elaboração dos novos programas da escola primária, as recomendações relativas à diferenciação pedagógica, aos objetivos de aprendizagem da língua oral e à avaliação das competências dos alunos (em particular no ensino infantil).

Ação 1.2. Elaborar nacionalmente e difundir entre os professores as ferramentas de avaliação de linguagem oral e de linguagem escrita. Enriquecer os protocolos nacionais de avaliação para que os professores auxiliados pelos profissionais especializados possam identificar as dificuldades e os distúrbios de linguagem oral e escrita.


Orientação 2: Melhor identificar as crianças portadoras de um distúrbio de linguagem oral e/ou escrita.

Ação 2.1. Criar uma comissão interministerial de especialistas franceses e de europeus francofonos sob tutela interministerial encarregada de recomendar aos diferentes profissionais da infância as triagens e os instrumentos diagnósticos, assim como indicações de como utilizar e interpretar os resultados.

Ação 2.2. Organizar uma triagem dos distúrbios de linguagem pelos médicos de crianças de 3 e 4 anos e pelos médicos de crianças de 5 e 6 anos [LEMBRANDO QUE NA FRANÇA EXISTE O MÉDICO ESCOLAR] a partir de baterias de testes para cada idade nacionalmente recomendados e considerando as informações fornecidas pelo professor, pela família e pelos profissionais envolvidos.

Ação 2.3. Dar recomendações aos diretores regionais do Departamento de Educação Nacional para que elaborem junto aos presidentes dos Conselhos Gerais uma convenção em cada município precisando as modalidades de intervenção e de colaboração de cada profissional e órgão.

Ação 2.4. Desenvolver a avaliação obrigatória de saúde desde o sexto ano a fim de que ela seja claramente um meio de explorar as capacidades lingüísticas das crianças e que possa conduzir a uma troca entre família, professores e profissionais da saúde.

Ação 2.5. Fazer dos hospitais universitários, centros de referência, formados por equipe multidisciplinar e permitindo elaborar diagnósticos precisos além de almejar estudos e pesquisas sobre a avaliação dessas condutas.

Ação 2.6. Dar recomendações as Direções Departamentais de Ocupação Sanitária e Social para que estas identifiquem, no centro de cada departamento (município), uma rede de profissionais liberais de saúde competentes para a elaboração dos diagnósticos e acompanhamento junto aos centros de referência.


Orientação 3: Melhor Conduta.

Ação 3.1. Desenvolver nas escolas normais condições de escolarização para as crianças que possuem distúrbios de linguagem moderados e severos nos níveis de primeiro e segundo ano estruturados em torno de um projeto pedagógico preciso.

Ação 3.2. Modificar as condições de realização dos exames escolares assegurando respeito ao anonimato e ao valor dos diplomas.

Ação 3.3. Reavaliar os dispositivos médicos sociais e sanitaristas voltados à melhor definir seus papéis nos casos de atuação com crianças portadoras de distúrbio de linguagem, tanto em matéria qualitativa quanto quantitativa, em triagens, diagnóstico e conduta.

Ação 3.4. Orientar as comissões especializadas quanto à avaliação das necessidades dos jovens portadores de distúrbios de linguagem e quanto a usar o orçamento (“guia de custos”) usado para avaliação das deficiências e das incapacidades de pessoas deficientes.

Ação 3.5. Investigar junto ao Comitê Médico de Saúde Pública a possibilidade de reconhecer e incluir os distúrbios de linguagem severos no grupo das patologias de longa duração.

Ação 3.6. Ampliar as condutas específicas melhorando as possibilidades de financiando para as crianças acolhidas pelos estabelecimentos ou acompanhadas na educação especial (....).
Orientação 4: Melhor informar, formar e pesquisar.

Ação 4.1. Elaborar um plano de comunicação entre o público, os profissionais da educação, sanitaristas e assistentes sociais sobre a existência desses distúrbios, sua prevalência, indicadores e instrumentos que os permita identificá-los.

Ação 4.2. Constituir um grupo de formadores tanto no domínio da educação quanto no da saúde, utilizando particularmente os grupos de pesquisas universitárias já voltadas para essa problemática.

Ação 4.3. Integrar à formação inicial dos professores do primeiro e segundo ano um módulo sobre o distúrbio específico de linguagem (informação sobre identificação dos sinais de alerta, as condutas a serem tomadas e as respostas pedagógicas diversificadas necessárias).

Ação 4.4. Inserir a formação inicial dos professores especializados, a maneira de identificar as dificuldades de aprendizagem da linguagem oral e escrita e os conhecimentos que concernem os distúrbios específicos de linguagem e insistir fortemente sobre os aspectos didáticos e pedagógicos. Atuar nos centros de formação dos psicólogos escolares para reforçar sua formação sobre esses distúrbios.

Ação 4.5. Fornecer recomendações aos reitores quanto à elaboração de planos acadêmicos de formação continuada, permitindo um crescimento de ofertas de formação de primeiro e segundo grau e multicategoriais (educação e saúde) sobre a aprendizagem da linguagem (aquisição, dificuldades, distúrbios, reeducação).

Ação 4.6. Desenvolver um pólo de recursos, de formação e de pesquisa ligados às universidades e aos hospitais.

Ação 4.7. Desenvolver a formação inicial dos médicos quanto à compreensão dos distúrbios de linguagem.

Ação 4.8. Atualizar a grade curricular do programa de formação inicial dos fonoaudiólogos a fim de desenvolver a prática de pesquisa e de avaliação fonoaudiológica e estudar a possibilidade de aumentar o número de fonoaudiólogos formados.

Ação 4.9. Intensificar a formação continuada dos profissionais da saúde junto aos órgãos responsáveis pela profissão médica e fonoaudiológica.

Ação 4.10. Levantar fundos para os tratamentos e para financiar a prática fonoaudiológica.

Ação 4.11. Lançar pedidos de oferta de pesquisa aplicada junto ao Ministério de Educação Nacional e de Pesquisa sobre conteúdos pedagógicos e didáticos.

Ação 4.12. Desenvolver os programas de pesquisa clínica, principalmente, no domínio de avaliação das práticas de tratamento e de estudos epidemiológicos.

Orientação 5: Assegurar o seguimento do plano de ação.

Ação 5.1. Criar um comitê interministerial de acompanhamento sobre uma duração limitada de funcionamento e dar recomendações às comissões departamentais (regionais) a fim de que elas elaborem sobre esse tipo de distúrbio um esquema de escolarização e de conduta.

Ação 5.2. Redigir uma circular interministerial endereçada ao conjunto de profissionais da educação e da saúde e especificando os objetivos do plano de ação e suas principais medidas.


Fonte: http://www.sante.gouv.fr/htm/actu/34_010321.htm