1.6.08

@ Fonoaudiologia na França


Desde o início de minha formação no “Laboratoire de Sciences Cognitives et Psycholinguistique” em Paris, já encontrei profissionais vindos das mais diversas áreas e dispostos à compreender a comunicação humana. No entanto, é intrigante o fato de o fonoaudiólogo não estar entre eles.
Foi assim que decidi pesquisar e conhecer melhor a fonoaudiologia francesa ou a ORTHOPHONIE.
Acabei descobrindo que o fonoaudiólogo francês tem uma formação muita próxima à formação brasileira no que se refere à parte de terapia. É uma profissão de bastante estabilidade, oferecendo um certo conforto aos poucos que conseguem passar no exame de entrada.
Totalmente voltados para a atuação clínica, a pesquisa não parece ser um grade atrativo.

HISTÓRIA
Apesar dos primeiros centros de formação terem surgido em 1955, o reconhecimento da profissão só veio em 1964.
Segundo a lei, o “orthophoniste” é o profissional da saúde que “executa os atos de reabilitação que constituem o tratamento das anomalias da voz, da fala e da linguagem oral ou escrita”.

FORMAÇÃO

Para cursar uma das escolas de “orthophonie” o estudante deve passar por um exame de aptidões; uma das exigências é que o estudante não seja portador de nenhuma das patologias tratadas pelo fonoaudiólogo. O índice de sucesso nesse exame é inferior 10%.
Atualmente há 15 escolas na França. Os estudos duram quatro anos que englobam 1640 horas de ensino teórico e 1200 de estagio; uma monografia é exigida ao final do curso.
De uma maneira geral (considerando que cada instituição de ensino apresenta de particularidades) esse é o histórico escolar:
Primeiro Ano: psicologia, organização do sistema escolar e pedagógico, fonética, lingüística, audição, fonação, física, matemática, pediatria genética, neurologia, psiquiatria do adulto e da criança, psicomotricidade, geriatria.
Segundo Ano: neuropsicologia, psicolinguistica, distúrbios da linguagem, deficiências intelectuais, diagnósticos, deglutição, articulação, acústica da voz, fisiologia e anatomia da audição e da fala, alterações da fonação ligadas à fissuras palatinas e às insuficiências velares, neurologia, educação precoce.
Terceiro Ano: gagueira, deficiências, traumas cranianos (idosos, demências, afasias e memória), psicologia cognitiva, discalculias, surdez, metodologia, inglês, estudo de caso, legislação e ética.
Quarto Ano: ensino dirigido e estudo de caso, monografia, estágios (creches, asilos, hospital, escola especial e em consultório particular).

EXERCÍCIO PROFISSIONAL
O « orthophoniste » pode ser um profissional liberal, assalariado ou os dois.

O profissional liberal tem seus serviços cobertos pelo Saúde Pública, o que significa que o paciente recebe o reembolso do valor pago pelo tratamento (ou parte dele).

Só é permitido o trabalho em escolas se estas atenderem um público portador de uma patologia específica.