20.4.09

@ Sobre Vocabulário - Para OLHAR ALTERNATIVO

Em entrevista para revista OLHAR ALTERNATIVO falei sobre VOCABULÁRIO. Confiram:
Olhar Alterntivo: Qual é o seu pensamento em relação à importância do enriquecimento e ampliação do vocabulário de uma pessoa?

Rita: Ao falarmos em “enriquecimento e ampliação” do vocabulário somos quase que imediatamente remetidos ao conceito de norma culta da língua. Na verdade, não penso dessa maneira; não acredito que enriquecer o vocabulário seja sinônimo de aprender palavras difíceis e refinadas. Segundo meu ponto de vista, o vocabulário nos permite comunicar. Vejo a ampliação e o enriquecimento do vocabulário como a possibilidade de nos comunicarmos com diferentes interlocutores em diferentes situações. Ampliar o vocabulário significa passar a conhecer um número suficientemente grande de palavras que me permitam modificar meu padrão de fala de maneira a me fazer compreender pelo outro. Isso é importantíssimo quando pensamos no mundo competitivo que vivemos hoje. No mundo dos negócios ganha quem conquista a confiança e a credibilidade alheia e um vocabulário amplo, por melhorar a qualidade da comunicação, só pode vir a favorecer-nos.

OA: Em relação às crianças, qual a importância dos pais e dos professores nesse processo ?

Rita: É muito rico observar o vocabulário das crianças. Em minha prática profissional costumo realizar uma atividade de evocação de palavras na qual eu digo três características de um objeto ou animal e a criança deve dizer sobre o que estou falando. Adoro quando eu descrevo um telefone e eles gritam: “é um celular!”. É natural uma vez que, falando em conhecimento de mundo, o celular está muito mais presente na vida das crianças de hoje do que o telefone fixo, porém, é importante que elas venham a perceber que celular é só um tipo de telefone e não ele próprio. Da mesma maneira a criança deve, no decorrer do seu desenvolvimento, deixar de chamar todas as aves de “piu-piu”, todos os quadrúpedes de “au-au” e assim por diante. Também devemos ficar atentos em relação às crianças que utilizam muitos termos genéricos como “coisa”, “negócio”, “isso”; essas palavras podem estar camuflando ou uma falta de conhecimento de palavras ou uma dificuldade em evocá-las. A família e a escola podem estar auxiliando no enriquecimento e ampliação do vocabulário da criança da seguinte maneira: nomeando as partes do corpo no momento do banho, cantando, lendo histórias, conversando sobre as mais diversas situações quotidianas, incentivando a criança a inventar histórias e a brincar de faz de conta.

OA: Qual a dica que você daria para as pessoas que desejam aprimorar e expandir seu repertório de vocabulário?

Rita: Vocabulário está intimamente ligado a conhecimento de mundo. Atividades quotidianas como ler, ouvir música, assistir filmes são muito ricas. No entanto, ressalto a importância da diversidade. Diferentes estilos literários, musicais e cinematográficos nos ensinam novas palavras e, por consequência, nos permitem comunicar com diferentes pessoas. Devo lembrar que nós temos um repertório enorme de palavras em nossos arquivos mentais (o léxico), mas só fazemos uso de uma parte delas (o vocabulário). Isso fica muito evidente no aprendizado de uma segunda língua. Imagine que na língua “X” os falantes nativos tenham três ou quatro palavras que correspondam à palavra “funcionar”, por exemplo. Eles usam essas palavras alternadamente, dependendo da situação, do estado de espírito, do interlocutor etc e nós, os estrangeiros, não temos nenhuma dificuldade para compreender que todas essas palavras significam a mesma coisa. Porém, no momento de nos expressarmos, acabamos por usar sempre a mesma palavra, havendo uma total falta de “jogo de cintura” em razão desse congelamento da língua. Essa situação também pode acontecer na nossa língua nativa. Podemos conhecer uma série de palavras e, no entanto, utilizarmos sempre as mesmas. Para não deixar que nosso vocabulário se torne pobre e inflexível, é importante ter contato com diversas palavras, mas também é de extrema importância treinarmos o uso delas a partir de palavras-cruzadas, redações, composições de poemas e jogos linguísticos em geral. Assim, nosso cérebro tenderá a se tornar mais ágil ao nos enviar diversos sinônimos, nos permitindo assim, selecionar o melhor vocabulário para cada momento.