1.6.08

@ Pesquisa com bebê?


A linguagem da criança começa muito antes das primeiras palavras. Antes mesmo do nascimento os bebês já começam a se familiarizar com a língua materna (Boysson-Bardies, 2003).

O fato de não conseguirmos avaliar, não significa que as crianças não sejam capazes de realizar determinadas tarefas lingüísticas. Por essa razão, os estudiosos da linguagem buscam cada vez mais adaptar as técnicas de avaliação às possibilidades reais dos bebês.


Uma vez que uma boa técnica foi encontrada para determinada faixa etária, abre-se um enorme leque de possibilidades quanto às habilidades a serem testadas dentro da fonologia, da sintaxe e da semântica. Aqui não me proponho a falar sobre os sujeitos de pesquisa, mas COMO se faz a pesquisa.

Até 2 meses► Aproveitar o reflexo de sucção não nutritiva do bebê: essa é uma boa maneira de fazer pesquisa com os pequeninos.
Um “captador” de pressão é ligado, de um lado, à chupeta do bebê e, de outro, ao computador. Busca-se observar se há mudança na pressão da sucção em relação ao estímulo linguístico.

De 5,5 a 18 meses► A técnica de Orientação Condicionada da Cabeça foi adaptada por Werker, Polka & Pegg (1996) aos estudos da linguagem. As autoras garantem uma melhor eficácia para os bebês com idade entre 6 e 10 meses.
A criança é condicionada a dar uma resposta a um determinado estimulo lingüístico e essa resposta é virar a cabeça para o lado de onde vem o som. Usarei aqui, um exemplo bastante simplificado para ilustrar a técnica: se queremos saber se criança faz a diferença entre duas palavras, podemos apresentar uma delas repetidas vezes. A cada vez que a criança vira a cabeça, ela terá um reforço visual (como um brinquedo que se ilumina ou se movimenta).
Uma vez condicionada, a criança vai passar a receber os dois estímulos alternados e, espera-se, que ela vire a cabeça apenas para a palavra treinada.
Essa é uma adaptação do “Peep Show” utilizado pelos audiologistas.

De 6 a 9 meses► A Medida do Tempo de Olhar (ou de Atenção) também vai contar com o apoio visual. Dois estímulos diferentes virão, de maneira alternada, de dois monitores – um de cada lado da criança. Nos monitores a criança vai ver (sempre alternadamente) a mesma imagem, porém, os estímulos sonoros serão diferentes. Após compara-se o tempo de atenção em relação a cada um dos monitores.

Dos 18 meses em diante► Nessa idade temos uma criança muito mais interativa e com várias possibilidades de resposta.
Vale aí a criatividade de cada pesquisador.
Exames neurológicos funcionais e eletrocardiogramas também podem ser utilizados para avaliar as respostas das crianças diante um estímulo linguístico!!!
Fontes: